ESCOLA E.B. 2,3 PROF. ANTÓNIO PEREIRA COUTINHO

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Jan 08






Máscara de Veneza













Brueghel, o Velho: Luta entre o Carnaval e a Quaresma, 1559






         A PALAVRA  CARNAVAL

  
   Os estudiosos divergem quanto à origem da palavra CARNAVAL. Para uns, a palavra CARNAVAL vem de CARRUM NAVALIS, os carros navais que faziam a abertura das Dionisías Gregas nos séculos VII e VI a.C., para outros, a palavra CARNAVAL surgiu quando Gregório I, o Grande, em 590 d.C. transferiu o início da Quaresma para quarta-feira, antes do sexto domingo que precede a Páscoa. Ao sétimo domingo, denominado de "quinquagésima" deu o título de "dominica ad carne levandas", expressão que teria sucessivamente abreviada para "carne levandas", "carne levale", "carne levamen", "carneval" e "carnaval", todas variantes de dialectos italianos (milanês, siciliano, calabrês, etc..) e que significam acção de tirar , quer dizer: "tirar a carne" A terça-feira. (mardi-grass), seria legitimamente a noite do carnaval.

   Seria, em última análise, a permissão de se comer carne antes dos 40 dias de jejum (Quaresma). Afirmam alguns pesquisadores que a palavra CARNAVAL teria surgido em Milão, em 1130, outros dizem que a festa só teria o nome CARNAVAL em França, em 1268 ou, ainda na Alemanha, anos 1800. Uma outra corrente, essa menos conhecida, citada no livro - A Cultura Popular na Idade Média - contexto de François Rabelais, de Mikhail Bakhtin, diz que: "na segunda metade do século XIX, numerosos autores alemães defenderam a tese que a palavra carnaval viria de KANE ou KARTH ou "lugar santo "(isto é comunidade pagã, os deuses e seus seguidores) e de VAL ou WAL ou morto, assassinado, que dizer procissão dos deuses mortos, uma espécie de procissão de almas errantes do purgatório identificada desde o século XI pelo normando Orderico Vital, como se fosse um exército de Arlequins desfilando nas estradas desertas buscando a purificação de suas almas. Essa procissão saía no dia do Ano Novo,durante a Idade Média".

AS ORIGENS


   As origens do Carnaval são obscuras e longínquas. Não temos como comprovar cientificamente o nascimento do Carnaval, entretanto, baseados em pesquisas da história da evolução do homem deduzimos que os primeiros indícios, do que mais tarde se chamaria Carnaval, surgiram dos cultos agrários ao tempo da descoberta da agricultura. Esclarecemos, ainda, que há dúvida quanto à data da descoberta da agricultura. Sabemos, no entanto, que o surgimento da agricultura só ocorreu após o final da última glaciação da Terra, há, aproximadamente, 10.000 anos a.C., quando melhores condições climáticas fizeram surgir nos lugares dos imensos glaciares, bosques e pradarias, ricas em recursos animais e vegetais. O novo ambiente da Terra fez com que os humanos saíssem das cavernas para os campos. Livres da predação dos grandes animais, desaparecidos, os homens evoluíram para a domesticação e criação dos animais e cultivo dos vegetais (sedentarização). Favorecidos pelo humos (ou limo) que deixava extremamente fértil as terras irrigadas pelo rio Nilo, teriam sido os povos que, primitivamente, habitavam as suas margens e que a partir de 4000 anos a.C. evoluíram para as unidades políticas chamadas "Nomos", os verdadeiros criadores da agricultura e dos cultos agrários. O homem começou a entrar no reino da comemoração. No momento da festa desligava-se das coisas ruins, que concretamente tinham ido embora (o inverno que o prendia aos abrigos) e saudava o que lhe parecia um bem ( a entrada da primavera, o término das enchentes do rio Nilo, o nascer e o pôr do sol), com danças e cânticos para espantar as forças negativas que prejudicavam as plantações.


PRINCIPAIS CULTOS AGRÁRIOS


   No Egipto, festa da Deusa Ísis e do Boi Ápis.
   Na Pérsia, festas da deusa da Fecundidade, Naita e de Mitra, deus dos Pastores
   Na Fenícia, Festa da deusa da Fecundidade, Astarteia.
  Em Creta, festa da Grande Mãe, deusa protectora da terra e da fertilidade, representada por uma pomba.
  Na Babilónia, as Sáceas, festas que duravam cinco dias e eram marcadas pela licença sexual e pela inversão dos papéis entre servos e senhores, e pela eleição de um escravo rei que era sacrificado no final da celebração.


O Carnaval Pagão
(Do século VII a.C. ao século VI d.C.).


  O Carnaval Pagão começa quando Pisistráto oficializa o culto a Dioniso, em Atenas, na Grécia, no século VII a.C. e, depois, em Roma, com as Saturnais todos os participantes e os escravos podiam dizer verdades a seus senhores indo até ao extremo de ridicularizá-los do jeito que bem entendessem. Isto tudo termina, quando a Igreja Catóçica adopta, oficialmente, o carnaval, em 590 d.


Nos Primeiros Tempos do Cristianismo


   As festas carnavalescas foram condenadas pelos doutores da igreja mas, como o povo continuava muito apegado às tradições, a Igreja Católica e o Estado Feudal impuseram às cerimónias oficiais um tom sério e sisudo, como uma forma de combater o riso, ritual dos festejos, que em geral,  acabavam em brincadeiras condenáveis.

   Em 590 d.C., o Papa Gregório I, o Grande, marca, em definitivo, a data do Carnaval no Calendário Eclesiástico.
  
A Igreja tolerou melhor a festa e até passou a estimulá-la, com o Papa Paulo II (1461 - 1471) que, de sua morada, ao observar a Vila Lacta, que permanecia deserta e silenciosa o ano inteiro resolveu organizar as festa do Carnaval, com a promoção de corridas de cavalos, anões e corcundas, lançamento de ovos, etc., sob a luz  de tocos de velas.  Em 1545, no Concílio de Trento, entre outros assuntos importantes entra em  discussão o carnaval que é reconhecido como uma manifestação popular de rua importante, não devendo ser hostilizado pelo Clero.
  
Em 1582, o Papa Gregório XIII (1572 - 1585) ao promover a reforma do Calendário Juliano, transformando-o em Calendário Gregoriano, em uso até hoje pelos povos Católicos, estabeleceu, em definitivo, as datas do Carnaval.
  
Os povos católicos aceitaram de imediato o calendário Gregoriano, entretanto, entre os povos protestantes, a Alemanha e a Inglaterra somente o oficializaram em 1700 e 1752, respectivamente.

 

O Carnaval do Mundo

   O Carnaval é comemorado em boa parte do planeta. No Brasil é muito famoso.  Mas há mais festas de Carnaval:

No Reino Unido:

 Acontece o Shroveitide (Shrive que significa confessar ‘pecados’) é a comemoração do carnaval britânico.


Estados Unidos

  Aqui o carnaval resume-se basicamente à celebração do Mardi Grass (Terça-Feira Gorda), vários estados celebram o carnaval. Mas o estado mais tradicional de tal comemoração é New Orleans. Neste estados, durante o Mardi Grass, desfilam pelas ruas da cidade mais de 50 grupos. O grupo mais conhecido é o do Bacchus (que possui gigantescos e originais carros alegóricos).


Alemanha


  Neste país a celebração do carnaval acontece tanto nos grandes centros urbanos, quanto na Floresta Negra e nos Alpes. A festa mais tradicional é a da cidade de Bonn onde  organizam desfiles com pessoas fantasiadas de diferentes épocas, o diabo fica solto, por esse motivo as pessoas usam máscaras para esconder seus rostos.


Veneza


    Por muito tempo, o carnaval veneziano foi um dos mais fortes e alegres do mundo. Durante o período do carnaval eram desenvolvidos bailes e festas nas praças e ruas da cidade. Com o passar do tempo o carnaval de Veneza foi enfraquecendo chegando  quase a extinguir-se. Actualmente, o Carnaval de Veneza tem muita fama e está intimamente ligado a actividades culturais.

E em Portugal? Onde se festeja o Carnaval?

    O Carnaval português, que foi exportado para as antigas colónias, em especial para o Brasil (por volta de 1723), e sempre teve características bem diferentes do de outros países da Europa, sendo reconhecido até mesmo por autores portugueses como uma festa cujas características principais eram a porcaria e a violência.

   Há umas dezenas de anos, o Carnaval não era como hoje: desfiles, cortejos e raparigas a dançar, imitando o Carnaval do Rio de Janeiro.

   Nessa época, as pessoas mascaravam-se, pregavam partidas e, por vezes, lançavam das varandas e janelas os mais variados objectos, como saquinhos de areia, ovos, farinha e outras coisas. Eram autênticas batalhas de loucura e um alvoroço para os mais calmos.

   Cada terra tinha o seu rei (Rei Momo) e a sua rainha. A Corte tinha vários ministros, que apareciam sempre bêbados e imensas “Matrafonas” que são homens vestidos de mulher ou disfarçados de forma ridícula.

   Havia Zés-pereiras que acompanhavam ou animavam o desfile, tocando bombo e apareciam as tropas-fandangas também a tocar e a fazer disparates.


   Hoje, em Portugal os Carnavais com mais tradição são os de: Ovar, Torres Vedras, Alcobaça, Loulé e Madeira. No entanto, no nosso país, por todo o lado, ainda se brinca e se organizam festas e bailes de Carnaval.


                            Divirtam-se no
                                                                     Carnaval!




 

 

publicado por CREM Pereira Coutinho às 16:50

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